Teste: Honda Civic Si 2015 o esportivo nervoso

Honda Civic Si 2015

No teste de hoje, trago para os leitores o novo Honda Civic Si, o esportivo cupê que dá vontade de dirigí-lo todos os dias, não importa aonde. Fiquei com ele por pouco mais de uma semana, pude viajar com o esportivo do Rio para São Paulo em meio as comemorações do meu aniversário. Então, de antemão, já digo que a experiência foi especial, obrigado Honda!

Deixando as introduções de lado, vamos ao que interessa! Testamos o “laranjão”– apelido carinhoso que demos ao Si – com muita calma. Fizemos um passeio rápido com ele na apresentação voltada para imprensa carioca, em agosto, e de lá pra cá, ficamos esperando a fila de empréstimos para poder revê-lo novamente.

Esta versão é importada do Canadá, com combustão apenas à gasolina e tanque de 50 litros. O cupê chega com câmbio manual de seis marchas. Nesse ponto, pensamos que seria algo falho ou desleixo da companhia, mas logo percebemos o contrário, o engante das seis velocidades é bem curto e força o motorista a deixar o motor trabalhando sempre em altas rotações.

Design

O Si é um daqueles carros esportivos que param o trânsito, mesmo você não estando em São Paulo. Ele traz um conjunto único para as ruas. O design com curvas bem marcantes somado a sua potência, proporcionam ainda mais esportividade e conforto ao dirigí-lo. Os bancos esportivos em formato de concha te deixa colado e com sensação de que uma corrida está preste a começar. O modelo chega por aqui com quatro opções de cores: laranja, vermelha, preta, branca – na minha opinião, o laranja com certeza é o que chama mais atenção.

A única semelhança do esportivo com o irmão sedã está no nome da família e talvez um pouco o volante. Na dianteira, o que chama atenção são as enormes entradas de ar. Já na traseira, as imensas lanternas e o aerofólio gigante são uma dupla imbatível no quesito “uau”. O esportivo traz ainda uma ponteira cromada, o carimbo ‘Si’ na grade frontal e na tampa do porta-malas.

No interior, o painel acompanha o desenho do sedã. Porém, há recursos que são únicos nesta versão, como um monitor de potência do motor que traz luzes para indicar o giro máximo ideal para a troca de marcha, bancos de tecido com duas cores, pedaleiras esportivas, manopla do câmbio com detalhes em alumínio e teto solar.

A tela touch da central multimídia de sete polegadas funciona muito bem, com ela você tem acesso aos controles bluetooth, áudio por pendrive, ipod e até mesmo uma conexão por porta HDMI. A tela é bem localizada e não força o motorista desviar o olhar da estrada. O som do carro é muito bom com a ajuda dos quatro alto-falantes, d0is tweeters e um subwoofer.

Galeria de Fotos 
Teste novo Civic Si 2015

Espaço interno: este ponto merece várias exclamações!!! Explico… Se a proposta é ser um esportivo cupê, por que cargas d’água tem banco traseiro e uma mala com capacidade de 331 litros? Não é um sedã, muito menos um SUV compacto para família. Então acho que a proposta ficou bem confusa.

Andar nele com carga máxima com cinco ocupantes vira uma tarefa complicada, quase impossível, mesmo sendo um deles, uma criança no banco de trás. O acesso ao banco traseiro só pode ser feito pelo lado do “co-piloto”, só desse lado que todo banco corre para frente. Mas mesmo assim, a entrada não é “fácil”, principalmente se for uma pessoa idosa ou cheinha. O motorista até pode ter seus 1,89 m, mas nem pense em jogá-lo para o banco de trás, há um limite de no máximo 1,70 m para caber ali sem ficar com a cabeça batendo no teto rebaixado do cupê. Confesso que no meu caso, ao volante, abrindo o teto solar, a coisa ficou bem mais confortável! Brincadeirinha…

Potência e Dirigibilidade

Na estrada o laranjão pode mostrar um pouco do significado do selo “Si” (Sports Injection) colado em sua carcaça. A versão testada conta com um motor 2.4 de 206 cv e 23,9 kgfm de torque. O carro entrega sempre uma resposta rápida em momentos de baixa ou alta rotação. Nas curvas, a aderência ao chão se mostra ainda mais atuante com ajuda do sistema de estabilidade (este é um dos únicos botões que podem ser acionados no painel do carro, o mesmo já vem ligado como default de fábrica).

Os japoneses da Honda deram uma atenção redobrada nos equipamentos de segurança do Si. Ele conta com controles de estabilidade e tração. O modelo dispõem também de uma central eletrônica que detecta falhas de aderência e saídas de pista, freando ou liberando força na roda que precisa de uma correção. Ainda falando de proteção, os seis airbags estão presentes: dois frontais, dois laterais e dois de cortina para motorista e co-piloto. E é claro, para os cinco passageiros, todos usam cintos de três pontos e encostos para cabeça.

O controle do piloto automático se mostrou muito eficaz também. Seu acionamento no volante poderia ser um pouco mais prático, mas funcionou com louvor principalmente no controle da velocidade máxima com os pardais, lombadas eletrônicas ou radares espalhados pela estrada e dentro de SP.

No quesito autonomia, o Si se mostrou bem interessante, na estrada ele fez em média 10,2 km/l e na cidade ele fez 8,2 km/l. Um resultado bem expressivo mesmo com toda potência do motor e com combustão apenas à gasolina.

A Honda não se preocupa com a quantidade de vendas do cupê no Brasil. O modelo só conta com uma versão de fábrica e não sai por menos R$ 124 mil. Desde o início de 2015 até hoje, a companhia informou que tem emplacado em média 20 unidades por mês. O seguro do modelo deve chegar a uns R$ 5 mil, se levarmos em conta que um seguro de um Civic normal sai na faixa de uns R$ 3,5 mil.

Toda vez que se dá a partida no laranjão, os únicos objetivos são: sentir a emoção das trocas de marcha curtas em modo manual com alta rotação, ouvir o motor potente rugindo e ver as luzes amarelas e vermelhas do i-vtec piscando no painel pedindo mais vento (um sistema elétrico controla abertura de uma válvula de admissão e uma de exaustão por cilindro, mostrando a hora perfeita para se trocar de marcha e tornar a direção ainda mais esportiva).

 

Pontos positivos:

  • Efeito “torce pescoço”;
  • Sensação de estar dentro de um cockpit;
  • Segurança com 6 airbags;
  • Controles de estabilidade, tração e diferencial;
  • Conectividade por 2 portas USB e 1 porta HDMI;
  • Autonomia aceitável, apesar de toda a cavalaria;

Pontos negativos:

  • Não traz bancos de couro como item de série e nem como opcional;
  • Esqueceram o GPS!;
  • Faltou um escapamento duplo;
  • Preço salgado por conta da importação;
  • Proposta indecisa: ou é esportivo ou é para família;

Ficha técnica:

  • Motor – quatro cilindros em linha, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, 2.354 cm³, 16V;
  • Potência – 206 cv a 7.000 rpm, torque de 23,9 mkgf a 4.400 rpm;
  • Tração – dianteira;
  • Transmissão – manual de seis marchas;
  • Suspensão – dianteira do tipo McPherson e traseira do tipo multilink;
  • Freios – discos ventilados na frente e sólidos atrás com ABS e EBD;
  • Dimensões – 4,55 m de comprimento, 1,75 de largura, 1,41 de altura e 2,62 entre-eixos;
  • Capacidade do porta-malas – 331 litros;
  • Tanque de combustível – 50 litros;
  • Peso – 1.359 kg;
  • Cores – Taffeta White, Rallye Red, Crystal Black e Orange Fire;
  • Garantia – 3 anos sem limite de quilometragem;
  • Preço – R$ 124 mil.